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acolhida
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Marcas da infância
O Elefante e a Estaca
Quando eu era menino, adorava os
circos, e o que mais gostava neles eram os animais. Para mim, e também para
outros, como fiquei sabendo depois, era o elefante que chamava atenção. Durante
o espetáculo, aquele animal enorme fazia uma demonstração de peso, tamanho e
força descomunais... mas depois de sua apresentação e até pouco antes de voltar
ao picadeiro, o elefante ficava amarrado por uma das patas com uma corrente
presa numa pequena estaca cravada no chão.

O mistério é evidente:
O que faz com que ele fique,
então?
Por que não foge?
Quando tinha cinco ou seis anos,
ainda confiava na sabedoria dos adultos. Perguntei, então, a algum professor,
algum pai ou algum tio sobre o mistério do elefante. Um deles me explicou porque
o elefante era amestrado.
Então, fiz uma pergunta óbvia:
- Se é amestrado, por que o
acorrentam?
Não me lembro de nenhuma resposta
coerente.
Com o tempo, esqueci o mistério do
elefante e da estaca... e só me lembrava quando me encontrava com outros que
também tinham a mesma dúvida.
Há alguns anos conheci,
felizmente, alguém que tinha sido sábio o bastante para encontrar uma resposta:
O elefante do circo não foge porque sempre esteve preso a uma estaca parecida
a essa desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o
recém-nascido à estaca.
Tenho certeza de que naquele
momento o elefantinho empurrou, puxou e suou, procurando soltar-se. E, apesar de
tanto esforço, não conseguiu.
A estaca certamente era muito
forte para ele.
Poderia jurar que ele dormiu,
cansado, e que no dia seguinte tentou de novo, e também no dia seguinte, e no
seguinte...
Até que um dia, um terrível dia
para a sua história, o animal aceitou sua impotência e resignou-se ao seu
destino.
Esse enorme e poderoso elefante
que vemos no circo não escapa porque acha – coitado – que NÃO PODE.
Ele tem o registro e a lembrança
da sua impotência, daquela impotência que sentiu logo depois de nascer.
E o pior de tudo é que nunca mais
voltou a questionar seriamente esse registro.
Jamais... jamais... tentou pôr sua
força outra vez à prova.
- É isso aí, Demián. Todos somos
um pouco como esse elefantinho do circo: vamos pelo mundo amarrados a muitas
estacas que nos tiram a liberdade. Vivemos acreditando que “não podemos” um
montão de coisas, simplesmente porque alguma vez, quando éramos criancinhas,
provamos e não pudemos. Fizemos, então, o que o elefante fez: gravamos em nossa
memória: NÃO POSSO... NÃO POSSO E NUNCA PODEREI.

Jorge fez uma longa pausa; depois
se aproximou, sentou-se no chão na minha frente e continuou:
- Isto é o que acontece com você,
Demi. Você vive condicionado pela lembrança de outro Demián, que já não existe,
não conseguiu. A única maneira de saber se você agora pode é tentar novamente,
pondo todo o seu coração...
TODO O SEU CORAÇÃO ...

Extraído de:
“Deixa eu te contar uma história
... contos que me ensinaram a viver”
Jorge Bucay – Editora Planeta
(recomendo!)
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